Cadeia Produtiva

Os elos da cadeia produtiva compreendem desde a extração mineral, a indústria de lapidação, artefatos de pedras, a indústria joalheira e de folheados, bijuterias, os insumos, matérias primas e as máquinas e equipamentos usados no processo de produção, além das estratégias de marketing e a incorporação do design aos produtos.




Características da Cadeia Produtiva

- O Brasil é internacionalmente conhecido pela diversidade e pela grande ocorrência de pedras preciosas em seu solo. Está entre os principais produtores de esmeraldas e o único de topázio imperial e até recentemente de turmalina Paraíba. Também produz, em larga escala, citrino, ágata, ametista turmalina, água-marinha, topázio e cristal de quartzo.

- Atualmente, estima-se que o país seja responsável pela produção de cerca de 1/3 do volume das gemas do mundo, excetuados o diamante, o rubi e a safira. É considerado, ainda, um importante produtor de ouro. Em 2010, o País alcançou um produção 68 toneladas em minas, o que lhe assegurou o 13º lugar no ranking mundial, segundo o GFMS (GOLD SURVEY, 2011).

- A produção de ouro, feita por diversos garimpos, se apresenta, atualmente, como uma atividade declinante, representando, com dados de 2009, menos de um décimo da produção, ou seja cerca de 6 toneladas. A sua extração está espalhada por praticamente todo o território nacional, embora concentrada no Pará, Minas Gerais, Mato Grosso, Bahia, Goiás e Tocantins.

- A produção de pedras preciosas é realizada, em sua grande maioria, por garimpeiros e pequenas empresas de mineração com ocorrências, também, em quase todo o Brasil. A forte produção se localiza nos Estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, Goiás, Pará e Tocantins. Estima-se que, pouco menos de 80% das pedras brasileiras, em volume, tenham como destino final as exportações, tanto em bruto, incluindo espécimes de coleção, como lapidadas.

- O Parque Industrial é bastante diversificado. Embora os dados sejam imprecisos, estima-se que existam, atualmente, aproximadamente 3.500 empresas de lapidação, de joalheria, de artefatos de pedras, de folheados e de bijuterias. Elas estão localizadas, principalmente, em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia. Porém, novos pólos industriais, como Paraná, Pará, Amazonas, Ceará e Goiás estão despontando.

- A indústria de joalheria de ouro e a de folheados e bijuterias apresenta crescente competitividade, com produtos de melhor qualidade e preços bastante competitivos, principalmente para produtos de design, incorporando a diversidade das pedras brasileiras.

- A lapidação, assim como a fabricação de obras e artefatos de pedras, é feita por pequenas indústrias, muitas de “fundo de quintal”. A terceirização tem se acentuado nos últimos anos. Existem, ainda, poucas indústrias integradas, principalmente, para garantir qualidade, prazos e tipos diferenciados de lapidação.

O Brasil possui capacidade e competitividade para lapidar pedras de média e boa qualidade, incluindo as chamadas lapidações diferenciadas ou contemporâneas.  Quanto a lapidação de pedras de baixo valor, normalmente calibradas, salvo poucas exceções, não temos escala e preços competitivos.

- Estima-se que a informalidade seja inferior a 50% do mercado, tanto na produção quanto na comercialização. Nessa última, os vendedores autônomos (sacoleiras) têm forte participação.

- A informalidade e o descaminho são grandes devido à alta carga tributária incidente sobre o Setor e às suas características. Entre elas, pode-se destacar: produtos de pequenos volumes e altos valores; produção de matérias-primas; industrialização e distribuição feitas por pequenos estabelecimentos e indivíduos nas mais diversas regiões do país, com fiscalização difícil e onerosa.

- Ao longo dos anos, os diversos segmentos da Cadeia não têm contado, de uma maneira geral, com o suporte de crédito. Dadas as características do Setor, que necessita substancialmente mais capital de giro do que fixo, e de sua alta informalidade, o que implica em balanços contábeis que não retratam a realidade das empresas, tem tido acesso reduzido às linhas existentes e, normalmente, se auto-financia.

- No atual estágio, para alcançar novos patamares, com ampliação de sua capacidade instalada, principalmente para atender ao mercado externo, será necessário dispor de mecanismos inovadores de financiamento bancário, particularmente no que se refere a procedimentos de acesso, tanto para as necessidades de capital fixo quanto para giro.

- Na última década, em que pese a elevada carga tributária, que tem ampliada a informalidade, o segmento joalheiro tem promovido expressivas melhorias em seus padrões de qualidade e competitividade, inclusive com importação de máquinas, equipamentos, ferramentaria e insumos.

- O fortalecimento da indústria joalheira se deu, inicialmente, com o objetivo de concorrer com o produto importado ou contrabandeado. O crescimento de demanda, proporcionado pelo Plano Real, contribuiu para essa consolidação. Posteriormente, o fortalecimento veio com a melhor exploração de seu potencial exportador, considerando produtos de maior valor agregado, que têm sido, nos últimos anos, o seu vetor de crescimento.

- Nesse período, o segmento joalheiro soube desenvolver estilo e design próprios, explorando símbolos da cultura, fauna e flora nacionais, além da variedade das pedras preciosas e matérias-primas existentes no país. O design brasileiro é, hoje, reconhecido internacionalmente por sua imagem alegre, colorida e criativa, com movimento e sensualidade.

- O mercado interno apresenta forte concorrência dos chamados produtos tecnológicos (celular, ipod, notebooks, etc), hoje o principal concorrente das jóias;

- Notadamente nos últimos cinco anos, a indústria joalheira tradicional começou a sofrer forte concorrência dos ateliês de design/ourives e das lojas de varejo, que passaram a produzir grande parte dos produtos por elas vendidos.

- Embora o Setor se apresente historicamente como um grande gerador de divisas, principalmente de ouro e gemas, somente nos últimos dez anos passou a promover, sistematicamente, e com estratégias definidas, produtos de mais alto valor agregado. Isso só foi possível a partir da implementação do Programa Setorial Integrado de Apoio às Exportações de Gemas e Jóias desenvolvidas pelo IBGM em conjunto com a APEX - Brasil.

- O potencial de crescimento das exportações da indústria joalheira de ouro é enorme. Apesar dos progressos obtidos, o Brasil representa menos de 1% da produção mundial (14º país produtor em 2010, segundo o GFMS – Gold Survey 2011) e pouco mais de 1% das exportações mundiais de jóias.

- Da mesma forma, é grande o potencial para as exportações de jóias folheadas e bijuterias, sobretudo pela crescente receptividade do design brasileiro no mercado internacional e por serem mais acessíveis, principalmente pelas mudanças ocorridas no mercado, decorrentes da crise mundial.


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